{"id":8764,"date":"2022-01-29T08:55:00","date_gmt":"2022-01-29T08:55:00","guid":{"rendered":"https:\/\/trenaferragens.com.br\/?p=8764"},"modified":"2022-01-25T11:55:31","modified_gmt":"2022-01-25T11:55:31","slug":"residuos-reciclados-se-transformam-em-revestimentos-na-construcao-civil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/trenaferragens.com.br\/?p=8764","title":{"rendered":"Res\u00edduos reciclados se transformam em revestimentos na constru\u00e7\u00e3o civil"},"content":{"rendered":"\n<p>\u00c9 cada vez maior o n\u00famero de iniciativas voltadas para e economia circular no setor, que apostam em inova\u00e7\u00e3o para criar produtos a partir de material descartado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO lixo \u00e9 um erro de design\u201d, diz o manifesto do projeto\u00a0Ideia Circular. Baseada no conceito de\u00a0<em>Cradle to Cradle<\/em>\u00a0(\u201cdo ber\u00e7o ao ber\u00e7o&#8221;), a iniciativa da arquiteta L\u00e9a Gejer e a designer Carla Tennenbaum prop\u00f5e discutir a Economia Circular com a filosofia de que os produtos devem j\u00e1 ser elaborados de forma que possam ser reutilizados.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto essa premissa ainda n\u00e3o \u00e9 a regra do mercado, o universo da arquitetura e da constru\u00e7\u00e3o civil vem, cada vez mais, dando provas de como dar novos usos ao material que seria descartado. No segmento de revestimentos, por exemplo, a fabrica\u00e7\u00e3o de produtos de alta qualidade usando res\u00edduos de outros setores \u00e9 destaque.<\/p>\n\n\n\n<h3><strong>Garrafas pl\u00e1sticas<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>\u00c9 o caso das garrafas PET recicladas, que s\u00e3o a principal mat\u00e9ria-prima das pastilhas da marca Rivesti: 85% de sua composi\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, os produtos cont\u00eam aditivos minerais reaproveitados, s\u00e3o isentos de metais pesados e contaminantes e, no fim de seu ciclo de vida, tamb\u00e9m podem ser 100% reciclados.<\/p>\n\n\n\n<p>Com 33 op\u00e7\u00f5es fixas de cores e ainda a possibilidade de personaliza\u00e7\u00e3o, cada metro quadrado das pastilhas evita a emiss\u00e3o de 3 quilos de di\u00f3xido de carbono na atmosfera e retira 66 garrafas PET do meio ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p>A fabricante, especialista em revestimentos ecol\u00f3gicos, \u00e9 membro efetivo do Green Building Council, organiza\u00e7\u00e3o que atua globalmente no fomento da ind\u00fastria de edifica\u00e7\u00f5es verdes e na gest\u00e3o de projetos para certifica\u00e7\u00e3o ambiental.Um problema clim\u00e1tico<\/p>\n\n\n\n<p>Relat\u00f3rio da ONU, divulgado no fim de outubro, alerta sobre a necessidade de uma redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica nos res\u00edduos pl\u00e1sticos para enfrentar a crise global de polui\u00e7\u00e3o e aponta a ado\u00e7\u00e3o de abordagens circulares como um dos caminhos para isso.<\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise ressalta que o pl\u00e1stico tamb\u00e9m \u00e9 um problema clim\u00e1tico. Considerando o seu ciclo de vida, em 2015 os pl\u00e1sticos estavam ligados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de 1,7 gigatonelada de CO2 equivalente e, em 2050, esse volume deve saltar para 6,5 gigatoneladas, o que equivale a 15% do or\u00e7amento global de carbono.<\/p>\n\n\n\n<h3><strong>Isopor<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>H\u00e1 20 anos, a empresa Santa Luzia desenvolveu uma tecnologia pr\u00f3pria para substituir 98% da madeira em sua produ\u00e7\u00e3o. No lugar, ela passou a reciclar pl\u00e1stico poliestireno expandido \u2013 conhecido pela sigla EPS e popularmente chamado de isopor \u2013, transformando-o em novos produtos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Desde ent\u00e3o, mais de 68 mil toneladas de res\u00edduos de EPS j\u00e1 foram convertidas em material de constru\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel (rodap\u00e9s, rodatetos, guarni\u00e7\u00f5es, rodameios, revestimentos e decks). Segundo c\u00e1lculos da empresa, isso equivale a 268 mil carretas de lixo ou 523 campos de futebol. Se o insumo principal ainda fosse madeira, 270 mil \u00e1rvores teriam sido derrubadas para atender \u00e0s demandas de fabrica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A mat\u00e9ria-prima vem do descarte de fabricantes de refrigeradores, ve\u00edculos e pranchas de surfe, ou de cooperativas de catadores de lixo, em um trabalho que envolve 136 cooperativas e mais de 2.500 trabalhadores em sete estados.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/exame.com\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/reproducao-santa-luzia.jpg?quality=70&amp;strip=info&amp;w=666\" alt=\"\"\/><figcaption>A produ\u00e7\u00e3o de revestimentos reciclados da Santa Luzia passou de 600 mil metros lineares em 2004 para 9 milh\u00f5es de metros lineares em 2020\u00a0(Santa Luzia\/Divulga\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3><strong>Conchas de sururu<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>O arquiteto Marcelo Rosenbaum, o designer Rodrigo Ambr\u00f3sio e o Instituto A Gente Transforma desenvolveram o Cobog\u00f3 Munda\u00fa, feito da concha de sururu, molusco comum na culin\u00e1ria da comunidade do Vergel, em Macei\u00f3.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O projeto nasceu para dar uma destina\u00e7\u00e3o \u00e0s 200 toneladas de conchas descartadas como rejeito ap\u00f3s a pesca, que se acumulavam todos os meses nas margens da Lagoa Munda\u00fa, gerando um problema ambiental e de sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>As conchas trituradas substituem a areia na composi\u00e7\u00e3o com o cimento. Ap\u00f3s oficinas e experimenta\u00e7\u00f5es, chegou-se a uma mistura com 70% de conchas e 30% de cimento, moldada em formas tamb\u00e9m fabricadas com material reciclado pelo artes\u00e3o Itam\u00e1cio Santos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Produzidas de maneira artesanal na comunidade, as pe\u00e7as de cobog\u00f3 ganharam escala industrial com o apoio da Pointer, marca de design democr\u00e1tico da Portobello.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A iniciativa integra o projeto Macei\u00f3 Inclusiva Atrav\u00e9s da Economia Circular, uma parceria da prefeitura de Macei\u00f3, o Laborat\u00f3rio de Inova\u00e7\u00e3o do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID Lab) e o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/exame.com\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/cobogo-portobello.jpg?quality=70&amp;strip=info&amp;w=924\" alt=\"\"\/><figcaption>Cobog\u00f3s desenvolvidos no Instituto A Gente Transforma s\u00e3o feitos de conchas de molusco trituradas\u00a0(Portobello\/Divulga\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3><strong>Lixo eletr\u00f4nico<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>H\u00e1 16 anos, a Lepri, fabricante de cer\u00e2micas, reutiliza lixo eletr\u00f4nico, como vidro de l\u00e2mpadas fluorescentes e monitores de TVs e computadores, para criar seus produtos. Esse material, que chega \u00e0 f\u00e1brica j\u00e1 descontaminado, \u00e9 mo\u00eddo e trabalhado em laborat\u00f3rio para entrar na composi\u00e7\u00e3o da massa e do esmalte dos pisos e revestimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de dar destina\u00e7\u00e3o \u00fatil ao lixo eletr\u00f4nico, o processo tamb\u00e9m reduz a emiss\u00e3o de poluentes, j\u00e1 que diminui a temperatura de queima dos revestimentos. E confere maior resist\u00eancia aos produtos da empresa, que hoje tem 99% de suas linhas fabricadas com material descartado.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra iniciativa de destaque foi o desenvolvimento de uma t\u00e9cnica para aproveitar rejeitos de minera\u00e7\u00e3o, a partir da lama da barragem de Fund\u00e3o, em Mariana (MG). Desde 2016, a Lepri retira material do local e leva para seu parque fabril no interior de S\u00e3o Paulo. Hoje, cerca de metade dos produtos \u00e9 feita com a lama de Mariana.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/exame.com\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/lepri2.jpg?quality=70&amp;strip=info&amp;w=1024\" alt=\"\"\/><figcaption>A Lepri usa lixo eletr\u00f4nico e rejeitos de minera\u00e7\u00e3o para criar seus produtos\u00a0(Lepri\/Divulga\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3><strong>Material n\u00e3o recicl\u00e1vel<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Outras ind\u00fastrias, fora do mundo da constru\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m t\u00eam dado sua contribui\u00e7\u00e3o. A JBS, l\u00edder global no setor de prote\u00edna, \u00e9 um exemplo. A companhia desenvolveu o chamado Piso Verde.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Resistente, o revestimento \u00e9 pr\u00f3prio para pavimenta\u00e7\u00e3o de ambientes externos, como de p\u00e1tios. S\u00f3 que, em vez de concreto, \u00e9 fruto de um processo inovador para reaproveitar material de dif\u00edcil reciclagem, como aparas de embalagens multicamadas (PVDC) e pl\u00e1stico utilizado em produtos&nbsp;<em>in natura<\/em>&nbsp;embalados a v\u00e1cuo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO conceito de Economia Circular \u00e9 fundamental para a sustentabilidade das opera\u00e7\u00f5es da JBS e estamos em constante a\u00e7\u00e3o para identificar oportunidades\u201d, diz Susana Carvalho, diretora da JBS Ambiental.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O Piso Verde est\u00e1 sendo usado na pavimenta\u00e7\u00e3o de obras da pr\u00f3pria JBS em todo o pa\u00eds. Apenas em Lins, na unidade matriz da JBS Ambiental, foi aplicado em uma \u00e1rea de 2,2 mil metros quadrados, o que corresponde a mais de 5 toneladas de aparas pl\u00e1sticas que deixaram de ir para aterros.<\/p>\n\n\n\n<p>31O piso desenvolvido pela JBS \u00e9 fabricado com res\u00edduos de material que n\u00e3o poderia ser facilmente reciclado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O universo da arquitetura e da constru\u00e7\u00e3o civil vem, cada vez mais, dando provas de como dar novos usos ao material que seria descartado. 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